Polo automotivo do Interior pode crescer


Wagner Oliveira
Do Diário do Grande ABC

A possibilidade da instalação de uma fábrica da montadora Chery em Salto (SP) irá consolidar a formação de novo pólo da indústria automobilística no interior do Estado – criando reflexos positivos no Grande ABC, que ainda se mantém como principal região produtora de veículos.

Numa série de cidades vizinhas distantes daqui até 150 quilômetros, existem unidades fabris da Case New Holland (Sorocaba), Toyota (Indaiatuba) e Honda (Sumaré), com suporte do centro de distribuição de peças da General Motors e da Iveco (Sorocaba). Ainda estão lá o campo de provas de GM (Indaiatuba), centro de remanufatura da Mercedes-Benz (Campinas) e inúmeros fabricantes de autopeças instaladas em cidades próximas.

A nova fábrica da Toyota, em Sorocaba, se soma a este novo polo. Com investimento de cerca de U$ 1 bilhão, a planta terá capacidade, quando totalmente concluída, para produzir 300 mil carros/ano a partir de 2012. Além da Chery, cogita-se ainda a instalação de unidade da coreana Kia, em Salto. A sede da Kia está em Itu, também na vizinhança.

Principal formador de mão-de-obra e centro de excelência do setor no Estado, o Grande ABC está ligado ao novo pólo por meio de moderno fluxo viário, representado pelo Rodoanel Mário Covas e algumas das principais rodovias do Estado – Castelo Branco, Bandeirantes e Anhanguera.

“Quando o Rodoanel estiver concluído, o Grande ABC vai se beneficiar ainda mais com a ligação ao terceiro pólo automobilístico de São Paulo, no Vale do Paraíba, região onde General Motors, Volkswagen e Ford já marcam presença há muitos anos”, afirmou Francisco Satkunas, integrante da SAE-Brasil (Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade).

Para Satkunas, a formação de novo pólo atrai investimentos para São Paulo, gera riquezas, aumenta arrecadação de impostos, cria empregos e forma profissionais especializados, que ajudam o Brasil a ter centros de desenvolvimento e a exportar inteligência.

“Poderia ser mais uma Detroit brasileira”, disse Luis Curi, CEO da Chery no Brasil, sobre a possibilidade da instalação de fábrica da montadora chinesa em Salto, que então se compararia à cidade símbolo da indústria automobilística nos Estados Unidos.

Segundo Curi, a Chery já concluiu estudos sobre a instalação da unidade, que será anunciada ainda este ano com investimentos de US$ 700 milhões para a produção anual de 150 mil veículos. “A região que compreende Sorocaba, Campinas e Jundiaí já formou centro de produção e abastecimento de autopeças, que facilita os planos de novos competidores que querem se instalar aqui”, afirmou Gerson Pittorri, também executivo da Chery.

Maurício Gouveia, diretor de pós-venda da Iveco América Latina, disse que a região de Sorocaba foi a melhor opção para investimento de R$ 30 milhões para a construção do Copi (Centro de Operações de Peças Iveco), recentemente inaugurado. “Daqui conseguimos abastecer todo o País rapidamente, além de também facilitar a nossa exportação pela proximidade com o Porto de Santos”, avaliou.

Região – Com seu tradicional parque industrial, auxiliado por empresas que operam em todos os níveis da complexa cadeia da indústria automobilística, o Grande ABC garante sua força no setor.

Região que soube se reiventar e não perder fábricas já instaladas, ainda exibe números robustos da indústria automobilística, apesar da desconcentração da atividade para outros Estados.

Em 2008, de acordo com números da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a região alcançou 26% da produção nacional, com 835 mil veículos. Foram produzidos aqui 33% dos veículos exportados em 2008 – 245 mil unidades.

Empresa deve anunciar investimentos dentro de dois meses
Além de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Pernambuco disputam a instalação da fábrica da Chery no Brasil. A montadora chinesa já finalizou estudos e deve anunciar o investimento de US$ 700 milhões dentro de dois meses.

“O Brasil é muito importante na estratégia da Chery, que se pr
Fonte: Diário do Grande ABC