Possibilidade: usados brasileiros no México.

A indústria automobilística mexicana tem motivo a mais para se preocupar: é que a partir de janeiro, quando serão abertas as fronteiras do país aos veículos importados dos Estados Unidos e Canadá, esse privilégio pode ser estendido aos demais sócios comerciais do México. E o Brasil é um deles.

“A Secretaria de Economia estuda a abertura de mercado a usados de outros países, com o raciocínio de dar tratamento igual a todos os países com os quais o México tem acordo”, desabafou na segunda-feira, 17, executivo de empresa que prefere o anonimato. “Isso é um absurdo que acabará com nossa indústria, que emprega milhares de pessoas e que paga muitos impostos. Somos a terceira fonte de ingressos mexicana e a Secretaria de Economia parece que quer acabar com isso.”

De acordo com esse executivo o argumento utilizado pela Secretaria é o de que as leis de comércio internacionais obrigam a dar a todos os países o mesmo tipo de tratamento. Como o México tem acordo comercial com América do Norte, Europa, Japão, Chile e Brasil todos devem, teoricamente, ter o direito de mandar para cá seus veículos usados.

Mas a indústria local luta para que isso não aconteça. Responde lembrando que se esse raciocínio é válido, todos os países do mundo, então, podem reclamar um acordo comercial com o México “para ter tratamento similar”, como argumenta o mesmo executivo.

Por via das dúvidas o Brasil deve manter os olhos abertos: a partir de janeiro pode ser que já exista bom lugar para enviar veículos com mais de 10 anos de uso – e pagos em dólares. Mas seria obrigado a receber pelo menos os usados com mais de 10 anos de uso mexicanos…
(Sérgio Oliveira de Melo, de Guadalajara, México)

Fonte: Boletim Autodata