Preço do carro cai até 20% no Paraná

Gazeta do Povo | 5/12/2008

A clássica regra de formação de preços baseada na oferta e demanda atingiu em cheio o mercado de automóveis. O aumento do estoque, por conta do enxugamento de crédito causado pela crise financeira internacional, fez o preço nominal dos carros zero quilômetro (sem considerar o eventual desconto das negociações) cair cerca de 10% em concessionárias paranaenses ouvidas pela Gazeta do Povo.
A reboque, o valor médio dos usados e seminovos foi depreciado em 20% nos últimos dois meses, de acordo com informações da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado do Paraná (Assovepar).

Os representantes das entidades de revendedoras avaliam que não se trata de recessão do mercado, até porque a venda de carros novos acumulada no ano cresceu 10,2% em relação ao mesmo período de 2007, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave-PR). Mas admitem que houve um “estouro da bolha” – o mercado cresceu por muito tempo e agora passará por uma readequação a parâmetros de mercado mais compatíveis com a realidade. Nas revendedoras, muitos modelos zero quilômetro estão sendo vendidos com preço menor do que o praticado em janeiro.

“A indústria automobilística passou três anos crescendo com média superior a 30% ao ano, totalizando 94% de 2006 até hoje, um desenvolvimento muito superior ao crescimento de qualquer país. Isso foi fermentado por uma concessão de crédito indiscriminada, que chegou ao fim”, disse o diretor da Fenabrave-PR, Gláucio José Geara. A escassez do crédito é apontada como a principal responsável pela derrubada das vendas de automóveis novos no Paraná, que chegou a 36,7% de outubro para novembro.

O resultado de novembro só não foi pior – e até uma retomada chegou a ser observada –, segundo Geara, por causa das intervenções estatais para recuperar o crédito das financeiras – foram injetados R$ 8 bilhões, dividos entre governo federal e de São Paulo, além da diminuição de 3,38% para 0,38% na alíquota do IOF para financiamento de motos – fato que ilustra a preocupação do governo com a segunda principal arrecadadora de impostos, que fica atrás apenas da indústria do fumo.

Geara admite que haverá uma diminuição nos investimentos, o que justifica as férias coletivas e paralisação da produção para aliviar os estoques das fábricas. “Temos que estar preparados para voltar à realidade do nosso mercado”, diz. “A indústria tende a alardear muito que está demitindo, mas na verdade ela está só voltando alguns anos e cortando seu terceiro turno de produção. Ora, a indústria sempre trabalhou dois turnos, e agora está cortando os empregados excedentes que contratou para fazer frente à demanda, que estava aquecida”, diz.

E os preços vão continuar caindo? Os preços constatados, segundo Geara, já estão esbarrando no limite que pode ser dado em bônus pelas montadoras e descontos pelas concessionárias.

O presidente da Assovepar, Lidacir Antônio Rigon, diz que as lojas de usados também estão tendo que se adequar à nova realidade do mercado e voltar a vender carros com dois anos de uso até 30% mais baratos que veículos zero. “Durante muito tempo vivemos essa situação atípica, em que você chegava em uma revendedora com um seminovo e mais R$ 5 mil e saía com um carro zero”, disse. “A crise pegou todo mundo no contrapé, todos com produtos estocados. O caminho natural para isso é a promoção, para gerar caixa e renovar as garagens”, disse.

Fonte: Webtranspo