Presença de brasileiros em convenção automotiva nos EUA é motivo de euforia


DEISE DE OLIVEIRA
Editora de Homepage da Folha Online, em Orlando

A presença de empresários brasileiros na convenção nacional dos concessionários norte-americanos foi motivo de euforia. Os conhecimentos sobre o mercado brasileiro não iam além de indicações de “economia estável e população numerosa com potencial consumidor”, mas o tom era de empolgação.

Um dos principais entusiastas do “momento brasileiro” foi o presidente da Ford, Alan Mulally, que autografou crachás de concessionários brasileiros e desenhou corações. “Foi um agradecimento ao desempenho do país e da Ford no Brasil”, contou um empresário agraciado.

Segundo o presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Sérgio Reze, a perspectiva deve se manter favorável para a venda de veículos no país neste ano. A previsão é crescer entre 9% e 10% neste ano, contra expansão de 12% em 2009 – para 3,1 milhões de unidades. Nem a redução do IPI, em 31 de março, deve prejudicar a demanda.

Segundo Reze, o benefício fiscal, em vigor desde dezembro de 2008, só foi um “chamariz” para o consumidor. O principal motivo, que fez de 2009 o melhor ano da história em vendas de veículos, foi a retomada do financiamento pelos bancos após um período de retração diante da crise de crédito internacional.

“Até meados de 2008, não tínhamos redução de IPI e conseguimos sustentar até aquele momento. O crédito para o financiamento é determinante e inerente ao negócio das concessionárias, já que 85% das vendas são financiadas.”

Atualmente, o Brasil tem 2.500 concessionárias de carros e comerciais leves. Esse número chega a 5.961 ao se considerar motos e caminhões. Em média, cada estabelecimento vende 1.100 unidades de carros e comerciais leves ao ano –ante 629 unidades por estabelecimento no mercado norte-americano.

“As concessionárias brasileiras estão à altura de qualquer mercado no que diz respeito a desempenho”, avalia Reze, que ainda assim diz não acreditar no interesse de grupos brasileiros de entrar no mercado norte-americano, ante as oportunidades ainda existentes no Brasil.

“É mais fácil um grupo estrangeiro entrar aqui do que um brasileiro entrar nos EUA, que tem características muito específicas”, ponderou. Atualmente. há ao menos duas experiências de capital estrangeiro em grupos brasileiros, no André Ribeiro e no Caltabiano.

Para Edward Tonkin, presidente da Nada (National Automobile Dealers Association), as empresas de capital aberto norte-americanas sofrem maior pressão para expandir seus negócios e estão mais sujeitas a prospectar negócios fora do país.

Na sua avaliação, o Brasil é um país com potencial de investimento, à medida que tem “uma população numerosa e uma economia estável”. “Em relação à Índia, por exemplo, o Brasil tem vantagem, à medida que a Índia não tem uma classe C, que ainda tem de ser desenvolvida. O Brasil já tem”, diz Tonkin, que, no entanto, diz desconhecer iniciativas efetivas de ingresso no mercado brasileiro por novos grupos norte-americanos.

A repórter viajou a convite da Fenabrave

Fonte: Folha Online