Produção de veículos continua devagar enquanto montadoras ajustam estoques

Com 252,6 mil unidades, ritmo de julho ainda é inferior ao do 1º semestre

GIOVANNA RIATO, AB

A produção de veículos permaneceu fraca no início do segundo semestre. Em julho a indústria brasileira fabricou 252,6 mil automóveis, comercias leves, caminhões e ônibus, volume que supera em 17% o fraco resultado de junho, mas ainda é 20,5% inferior ao do mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados pela Anfavea, associação que representa os fabricantes do setor, na quarta-feira, 6.

-Veja aqui os dados da Anfavea

Enquanto o ritmo de vendas e de exportações superou em julho a média mensal registrada no primeiro semestre, a produção de veículos foi 3,2% inferior. No acumulado do ano a queda já chega a 17,4% na comparação os mesmos sete meses de 2013, para 1,81 milhão de unidades. O segmento que acumulou a maior retração em 2014 foi o de caminhões. A baixa chegou a 20,7% na comparação com janeiro a julho de 2013, para 88,3 mil unidades. Os veículos leves reduziram em 17,2% os volumes, para 1,7 milhão. Já a produção de ônibus esfriou 12,8% e chegou a 22 mil chassis.

Luiz Moan, o presidente da entidade, aponta que há ajuste do nível de estoques no setor. Em julho as montadoras já alcançaram redução. O volume de veículos armazenados caiu cerca de 3,2%, para 382,6 mil unidades entre indústria e concessionárias, o que corresponde a 39 dias de vendas considerando a média diária de julho.

“As empresas estão buscando ajustar os estoques. Há dois meios de fazer isso: com aceleração das vendas ou redução da produção. Estamos vendo medidas nos dois sentidos”, avalia Moan, se referindo as promoções para atrair o consumidor e elevar o número de emplacamentos e também as paradas nas fábricas. “Uma série de empresas tem adotado layoffs, suspensão temporária dos contratos de trabalho. É uma maneira de preservar os empregos”, explica o dirigente. Mercedes-Benz, MAN Latin America e Iveco são as fabricantes de veículos que aplicaram o recurso mais recentemente.

Segundo ele, com estas medidas as companhias ganham tempo para esperar a retomada do mercado. ”Os funcionários que temos hoje na indústria são fruto de alta qualificação e as empresas evitam ao máximo fazer demissões”, esclarece. Dessa forma a indústria tem garantido a manutenção do nível de empregos. Dados de julho mostram que as montadoras têm 150,2 mil pessoas empregadas em suas fábricas no Brasil. O número mostra queda sutil, de 0,8% em relação ao mês anterior e retração um pouco mais significativa, de 4,2% na comparação com julho de 2013. “As empresas têm adotado também PDV, Programa de Demissão Voluntária, voltado a funcionários já aposentados ou perto disso.”

Além do encolhimento de 8,6% no mercado interno nos sete meses do ano, as fabricantes de veículos administram o impacto da queda das exportações. Cerca de 75% das vendas internacionais de veículos brasileiros têm como destino a Argentina. Nos primeiros meses do ano os negócios foram afetados pela renegociação do acordo automotivo com o país e ainda pela queda do mercado na região. Moan aponta, no entanto, que a demanda já mostrou melhora. “Houve crescimento das vendas argentinas em junho e em julho. Se isso continuar as nossas exportações devem crescer.”

Com isso a Anfavea mantém a projeção de que a produção de veículos acelere 13,2% no segundo semestre do ano na comparação com o primeiro, para 1,7 milhão de unidades. Assim a indústria fechará 2014 com 3,33 milhões de unidades fabricadas localmente.

Fonte: Automotive Business