Produção tende a cair ainda mais em 2015

 Após retração de 20% até setembro, projeção é de queda de 23% no ano
PEDRO KUTNEY, AB
A produção de veículos no País, que de janeiro a setembro acumula 1,9 milhão de unidades e já recuou 20,1% na comparação com o mesmo período de 2014, tende a se retrair ainda mais até o fim do ano, com não mais que 2,42 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus produzidos em 12 meses, o que resultará em declínio de 23,2% sobre o exercício anterior, ou 728 mil unidades a menos, o que faz a indústria automobilística no Brasil voltar quase 12 anos no tempo, ao mesmo ritmo de 2003, quando a capacidade girava em torno da metade da atual. A projeção é da associação dos fabricantes, a Anfavea, que apresentou na terça-feira, 6, a terceira revisão para baixo de suas expectativas para 2015. Em setembro a indústria produziu 174,2 mil veículos, em importante retração de 19,5% sobre agosto e queda ainda mais expressiva de 42,1% ante o mesmo mês de 2014. Mesmo assim, os estoques não cedem: “Apesar de todo o nosso esforço para ajustar a produção ao nível de demanda menor do mercado, em setembro os estoques continuaram em níveis elevados”, apontou Luiz Moan, presidente da Anfavea. No mês passado, havia 346,9 mil veículos a espera de compradores nos pátios das montadoras 132,7 mil e suas concessionárias 214,2 mil, o equivalente a 52 dias de vendas, somente um dia a menos do que o verificado em agosto. “Esse ajuste terá de ser feito nos próximos meses”, afirmou Moan, para justificar a revisão para baixo na produção das fábricas este ano. Por ajuste entende-se corte de produção e, consequentemente, de pessoal. O nível de emprego no setor segue em queda, com 800 postos de trabalho fechados em setembro. No mês passado os fabricantes de veículos empregavam 133,6 mil pessoas, número 7,5% menor do que o registrado um ano atrás, com a demissão de 11,2 mil funcionários no período. E há mais na fila de desligamentos, já que as empresas continuam a demitir e Moan lembra que existem atualmente 7,2 mil empregados em regime de layoff, com os contratos de trabalho suspensos, além de acordos já fechados com sindicatos para redução de jornada e salários no Programa de Proteção ao Emprego PPE que envolvem 33 mil trabalhadores. “Isso mostra todo o esforço continuado que a indústria está fazendo, no limite de suas possibilidades, para manter o nível de emprego mesmo com as vendas em queda”, destacou Moan. Como a produção recuou para o mesmo nível de 2003, quando as fabricantes empregavam cerca de 80 mil pessoas, em tese o setor trabalha hoje excedente de 56,6 mil empregados. PIOR PARA OS VEÍCULOS COMERCIAISA queda de produção atual e estimada para este ano no segmento de veículos comerciais é ainda mais profunda, em virtude da retração da atividade econômica. De janeiro a setembro foram produzidos no País 59,1 mil caminhões e 18,6 mil chassis de ônibus, o que representa fortes declínios de 47,2% e 33,1%, respectivamente, na comparação com os meses nove meses de 2014. Com isso, a Anfavea estima que 2015 vai fechar com a produção de 101 mil veículos pesados caminhões e ônibus, em queda de 41,4% ante 2014, com 72 mil unidades a menos, ou nível parecido com o verificado em 2003.
Fonte: Automotive Business