PSA acelera nas mãos de Carlos Gomes

                                             Presidente quer 7,5% do mercado em 2014.

Giovanna Riato, AB

A PSA Peugeot Citroën ganhou fôlego depois que passou às mãos do presidente Carlos Gomes, que assumiu a operação da América Latina há cerca de sete meses. O executivo chegou para reestruturar os negócios da companhia na região e trabalha para concretizar o plano de ampliar a participação no mercado nacional dos atuais 5,4% para 7,5% em 2014. A companhia quer ainda chegar perto de dobrar as vendas no Mercosul e passar das 294 mil unidades registradas em 2010 para mais de 500 mil.

O plano será colocado em prática junto com a reestruturação da produção industrial do grupo na região. As três plataformas que a empresa mantém na fábrica brasileira de Porto Real, RJ, e as duas da planta de Palomar, na Argentina, serão reduzidas a apenas uma em cada país. “Queremos ganhar eficiência produtiva. Vamos triplicar o volume produzido de cada modelo”, afirma.

Com o investimento de R$ 1,4 bi anunciado para o Brasil até 2012, a empresa iniciou este ano a ampliação da fábrica do Rio de Janeiro. “Este é um programa muito ambicioso, nunca tínhamos feito algo parecido na região”, afirma Gomes. A produção na unidade vai saltar 150 mil para 280 mil unidades por ano, cerca de 40 veículos por hora.

O volume, mesmo somado aos da unidade argentina, que produziu cerca de 130 mil veículos em 2010, ainda não é o suficiente para atender a projeção de expansão no mercado. A companhia deve anunciar novos aportes em breve e planeja também o lançamento de um novo modelo compacto da Peugeot.

Apesar dos poucos meses no Brasil e na PSA, Gomes já parece à vontade. Para ele, a principal diferença entre o mercado nacional e o europeu é que o Brasil é um mercado de oferta, que não tem modelos definidos. “É diferente da Europa e dos Estados Unidos, onde já há estilos determinados”, conta.

O executivo diz não ter se surpreendido com o mercado interno. “É como eu imaginava”, conta. Apenas uma característica da indústria automobilística local o deixa desconfortável: a falta de regras. “Nada é muito claro. Não dá para saber quem joga embaixo da mesa ou em cima da mesa. Não esperava isso em um País como o Brasil, onde as coisas são sempre tão diretas”, afirma.

Marcas

Carlos Gomes já começou trabalhar duro para ver a Peugeot e a Citroën avançarem no mercado. O executivo só evita falar sobre o risco de ter que escolher favorecer uma ou outra, já que as duas marcas apelam para o design e a sofisticação para fisgar os clientes e, em determinados momentos, disputam no mesmo segmento. Um exemplo é o recém-lançado Peugeot 408, que briga com o Citroën C4 Pallas entre os sedãs médios.

Até o momento, a PSA conseguiu manter as marcas longe de um confronto maior. Cada uma avançou em uma nova categoria no ano passado. A Peugeot entrou em picapes compactas com a Hoggar, enquanto a Citroën buscou rejuvenescimento com o utilitário Aircross, que já detém 16% de participação no segmento.

A estratégia tem rendido bons resultados. A Peugeot e a Citroën crescerem 10% e 21% no Brasil em 2010, respectivamente, com um total de 174 mil emplacamentos. O avanço mais expressivo da Citroën resultou em um volume de vendas maior do que o da Peugeot em janeiro deste ano pela primeira vez.

O número de concessionárias das duas marcas também é cada vez mais próximo: enquanto a Peugeot tem 153 lojas espalhadas pelo País, a Citroën já chega a 149. Neste ritmo, nem Gomes consegue estimar qual das duas deve chegar ao final do ano com maior participação nas vendas. O fato é que, nessa disputa, a PSA deve dar trabalho para as outras montadoras.

Fonte: Automotive Business