Queda nas vendas impõe renovação de linhas

 Salão Duas Rodas mostra aposta em scooters e aumento do portfólio
MÁRIO CURCIO, AB
De janeiro a setembro, o segmento de motos teve 947,6 mil unidades emplacadas e registrou queda de 11,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Nesse ambiente, as fabricantes instaladas no Brasil adotam estratégias diferentes para recuperar volume. É o que se vê no Salão Duas Rodas, que ocorre de 7 a 12 de outubro no Anhembi. A Dafra volta a explorar o segmento de scooters de 125 cc com o modelo Fiddle III, fornecido pela taiwanesa Sym. Chega em fevereiro. “Tornaremos essa marca cada vez mais evidente”, afirma o presidente da Dafra Motos, Creso Franco. A fabricante brasileira já nacionaliza outros três modelos fornecidos pela empresa de Taiwan, dois scooters e uma moto de 250 cc. O foco nos scooters ocorre porque o segmento cresceu cerca de 10% nestes nove meses, apesar de o mercado como um todo ter recuado, e levou a Honda a anunciar seu terceiro modelo. Outra brecha explorada pela Dafra é a das motos custom de baixa cilindrada. Com a nova Horizon 150 ela substitui o modelo Kansas. Estará na rede nos próximos dias por R$ 7.990. Das quatro maiores fabricantes no País, somente Suzuki e Dafra exploram esse segmento. Em seu estande, a Dafra também dá destaque aos modelos KTM 200 e 390 Duke, que já são vendidos em lojas que distribuem tanto a marca brasileira como a austríaca: “Até o fim deste ano teremos 26 concessionárias dual brand”, diz Franco. A diversificação dos negócios serve para atenuar a queda de 27,3% da Dafra. Num movimento contrário, a Traxx registrou alta de 55,5%. A fabricante de origem chinesa aumentou suas vendas com o lançamento de dois produtos de média cilindrada Fly 250 e TSS 250 e agora quer crescer ainda mais com a ampliação da rede: “Estamos procurando novos revendedores do Sul e do Sudeste”, afirma o gerente comercial e de marketing, João Zoghby Kouri. A rede atual tem 135 unidades e se concentra no Nordeste, onde a empresa aportou na década anterior e ganhou mercado especialmente com modelos de baixo custo e 50 cc. A Harley-Davidson renovou boa parte de sua linha. A moto de entrada, Sportster 883, recebeu ajustes no motor que aumentaram seu torque em 3%, rodas mais leves, suspensões modificadas e novo filtro de ar. Os modelos Street de 500 e 700 cc vendidos em outros mercados ficaram de fora do evento: “Eles devem chegar de 2017 em diante”, estima o diretor-superintendente de manufatura, Celso Ganeko. As vendas da H-D recuaram 12,9% no acumulado do ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo o gerente de marketing e produto Flávio Villaça, a Harley-Davidson vai ampliar a rede como forma de recuperar o volume de vendas. E neste ano, outra ação serão os preços promocionais para a linha 2015 com dólar a R$ 2,40 e taxa de 0,49% ao mês. A retração também afeta a Triumph, em 12,5%. A estratégia adotada pela marca foi ampliar a gama existente com novas versões. A fabricante levou ao salão a Tiger 800 XCA, que chega à rede com tabela de R$ 51,8 mil. A empresa já produziu mais de 10 mil unidades desde o início da operação local, em 2011. Das 19 motos vendidas no País, 16 são montadas em Manaus.
Fonte: Automotive Business