Regulamentação necessária em F&I no varejo

                                             Crédito e seguro representam principal margem do revendedor.

Redação AB

O retorno financeiro que bancos e empresas de crédito têm destinado às concessionárias de veículos, em contrapartida à participação no financiamento e seguro de automóveis (F&I), é uma questão que ganha dimensão expressiva e merece regulamentação. A prática, instituída há cerca de dez anos, começou de forma tímida e avançou desde então, chegando a representar a principal fonte de recursos das revendas, superando as margens na comercialização de carros novos, usados e autopeças e na área de serviços.

Do patamar de 2% sobre o valor total da operação de crédito, o retorno (R) já chega nível de 5% a 12%, dependendo da marca e da ‘força’ da revenda. Com essa fonte de receita, a concessionária passa a depender menos das margens comerciais negociadas com os fabricantes de veículos, que se mostraram insuficientes para remunerar o negócio diante da forte concorrência no segmento de entrada, da necessidade de investir em promoção e propaganda e, ainda, dos descontos.

Enquanto a margem na venda de um carro básico, de R$ 24 mil reais, pode mal alcançar R$ 500, o retorno da financeira na hora do crédito superaria R$ 1 mil. Há também a taxa de abertura de crédito, absorvida pelo concessionário, que varia de R$ 700 a R$ 1.500. Assim, a comercialização de um carro popular pode trazer uma receita da ordem de R$ 2 mil a R$ 3 mil na hora do financiamento – sem contar a venda de seguro feita no show room.

A prática nas ações de F&I, que se estende à área de veículos usados e poderia parecer legal com a emissão de uma nota fiscal de serviço pela revenda, em nome na empresa de financiamento e seguro, não encontra respaldo na legislação brasileira, ao contrário do que acontece no mercado norte-americano, por exemplo. Mais do que isso, a operação não é feita com transparência para o comprador do veículo que, no final das contas, é quem paga qualquer taxa ou comissão envolvida.

O Ministério Público Federal está atento às disfunções nessas práticas e novidades são aguardadas para breve. Tendo em vista que a falta de regulamentação pode conduzir a ações na justiça pelos clientes das concessionárias, é hora de resolver de forma efetiva o que pode se tornar um enorme imbróglio.

Fonte: Automotive Business