Reimer: produção deve chegar a 2,69 milhões de veículos

Ricardo Reimer, presidente da Schaeffler, acredita que o Brasil produzirá este ano 2,69 milhões de veículos, 16% a menos do que em 2008 (3,22 milhões). As vendas ao mercado interno dos veículos produzidos no país ficarão em 2,23 milhões de unidades (2,44 milhões em 2008) e as exportações serão de apenas 466 mil unidades, contra 735 mil no ano passado. Ele se baseia em estudos do Sindipeças.

Para chegar a esses resultados, o Sindipeças avalia que a produção no primeiro trimestre ficará ao nível de 602 mil unidades, ou 24% menos do que no mesmo período de 2008. Segundo ainda as estimativas da entidade, as vendas ao mercado interno de veículos nacionais devem ser de 512 mil unidades (567 mil no primeiro trimestre do ano passado) e as exportações devem ficar em apenas 90 mil veículos (metade do primeiro trimestre de 2008).

Para fevereiro a produção estimada é de 186 mil unidades; para março, de 230 mil veículos, um volume ainda distante das 311 mil unidades de agosto do ano passado, de setembro (300,2 mil) e de outubro (296,9 mil). “Há sinais positivos na cadeia de produção, com a retomada dos negócios. Algumas montadoras já trazem de volta os empregados que estavam em férias” – afirma Reimer.

De acordo com o Sindipeças, a produção ainda ficará abaixo do ano passado no primeiro trimestre (24%), segundo (30%) e terceiro (21%), mas no quarto trimestre acontecerá um avanço de 24%, já que os números dos dois meses finais de 2008 foram de queda acentuada.

Reimer mostra confiança na renovação do pacote para o IPI depois de 31 de março, mas aposta que o governo vai fazer concessões ‘a conta-gotas’, até mesmo mês a mês, para avaliar o resultado do benefício.

As estimativas para o mercado brasileiro foram apresentadas por Reimer durante a palestra “O papel dos fornecedores na retomada”, realizada na sede da SAE Brasil em São Paulo, dia 17 de fevereiro. O presidente do Grupo Schaeffler para a América do Sul endossa as opiniões de que a crise global é a pior desde 1929, mas ressalta que sua principal característica é a duração e não a intensidade.

Reimer entende que uma parcela significativa dos investimentos previstos por montadoras e fabricantes de autopeças pode ser postergada, preservando-se os projetos indispensáveis. Essa tendência já havia sido detectada em pesquisa do Sindipeças realizada no final do ano passado, quando 46% das empresas disseram que iriam reduzir os investimentos este ano. Apenas 6% informaram elevação dos investimentos e 48% responderam que estariam mantendo as aplicações. “Se a pesquisa fosse repetida hoje, certamente mais empresas informariam redução nos investimentos” – afirma o executivo.
Fonte: Automotive Business