Reino Unido terá em 2009 pior recessão desde 1946, diz estudo

da France Presse
da Folha Online

A economia britânica registrará contração de 2,9% no próximo ano e terá a pior recessão desde 1946, prevê o CEBR (Centro de Pesquisa Econômica e Empresarial, na sigla em inglês).

Apesar das exportações se beneficiarem da desvalorização da libra, isso não será suficiente para compensar a redução da demanda internacional, destaca o instituto.

Segundo o CEBR, o consumo interno prosseguirá em retrocesso, especialmente por causa do aumento do desemprego. Para o centro, o segmento que mais sofrerá será o de investimentos das empresas, com recuo de 15% em 2009, já que as companhias têm cada cada vez mais dificuldades para obter crédito.

O PIB (Produto Interno Bruto) britânico ficou paralisado no segundo trimestre e retrocedeu 0,5% no terceiro trimestre, a primeira queda em 16 anos, segundo dados oficiais.

O governo, que no mês passado anunciou um pacote econômico de 20 bilhões de libras (US$ 29,4 bilhões) para estimular o consumo e os investimentos, prevê uma contração do PIB de entre 0,75% e 1,25% em 2009. Muitos analistas prevêem uma contração do PIB de até 2,5%.

“As coisas podem ser ainda piores”, diz o economista do CEBR Ben Read. “Apesar das declarações públicas do governo de que os bancos deveriam emprestar mais dinheiro entre si, é evidente que a maior preocupação de nossos bancos é melhorar suas contas e, para aqueles que foram recapitalizados pelo governo, reembolsar o ministério das Finanças”, acrescentou, em declaração ao jornal “The Daily Telegraph”. “Pode acontecer uma contração de 5% a 10%, que faria a economia britânica retroceder cinco anos.”

No último dia 15, o governo britânico informou que o número de desempregados no país aumentou no terceiro trimestre do ano em 140 mil pessoas, para 1,82 milhão, ou 5,8% da população ativa. Trata-se do maior percentual registrado desde 2000.

O diretor de análise econômica do Institute of Directors, Graeme Leach, avaliou que o desemprego poderia alcançar os 2,8 milhões de pessoas em 2010. “O mercado de trabalho do Reino Unido está a ponto de sofrer as conseqüências de uma crise financeira que só acontece uma vez em cada geração”, explicou.

Fonte: Folha Online