Renault reconvoca metade de trabalhadores afastados

DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba

A Renault deve convocar de volta ao trabalho em março pelo menos metade dos metalúrgicos que tiveram os contratos suspensos por cinco meses a partir do mês passado.

A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, que disse ter recebido ontem comunicado da montadora solicitando a reconvocação dos funcionários da unidade de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba.

O vice-presidente do sindicato, Cláudio Gramm, afirmou que a recuperação nas vendas no início deste ano foi “decisiva” para garantir o emprego dos trabalhadores.

Ele disse que a mudança de planos da montadora em relação aos trabalhadores foi reflexo das vendas, que cresceram em razão da queda do IPI dos modelos com motores mais potentes e da isenção do tributo nos veículos da faixa 1.0. Segundo a direção do sindicato, pelo menos 420 trabalhadores devem retornar ao trabalho entre os dias 5 e 23 de março para o segundo turno, que vai das 14h40 às 22h40. A reportagem não conseguiu falar com a direção da Renault.

Desde 5 de janeiro, quando a montadora suspendeu cerca de 30% de sua força de trabalho da área de produção, o número médio de veículos produzidos ao dia chegou a 300. Com o novo efetivo, a média de produção deverá subir para 450.

Para o sindicato, a convocação dos demais metalúrgicos que ainda estão com o contrato suspenso deverá ser feita antes do prazo final, em junho. “Pelo menos na Renault, a crise vai se dissipando. A suspensão dos contratos foi uma boa alternativa para preservar empregos”, afirmou Gramm.

No dia 5 de janeiro, no retorno do período de férias coletivas das festas de fim de ano, a Renault anunciou a intenção de suspender o contrato de pelo menos mil empregados. A crise internacional foi o motivo, segundo a montadora. Depois, segundo o sindicato, o número de postos de trabalho afetados baixou para 854. Todo esse efetivo está fazendo cursos profissionalizantes remunerados pelo FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e com ajuda de custo complementar pela empresa.

Fonte: Folha Online