Risco de recessão pressiona Banco Central a cortar juros

Da AE

Os dados mais recentes sobre o desempenho da economia brasileira surpreenderam até o mais pessimista dos analistas. Agora, eles não só dizem que aumentou a possibilidade de que o Brasil enfrente uma recessão técnica este ano – ou seja, dois trimestres consecutivos de recuo do PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todas as riquezas produzidas.

Mas também já falam que 2009 pode ser um ano sem crescimento (estagnação econômica) ou até de recessão.

O péssimo resultado da produção industrial divulgado na sexta-feira reforça as pressões para que o BC (Banco Central) seja mais agressivo nos cortes da Selic (taxa básica de juros), a começar pela reunião das últimas terça e quarta-feira.

Uma taxa de juro menor estimula a atividade econômica, já que pode tornar o crédito mais barato. No BC, a visão predominante é que a economia deve reagir no 2º semestre e não seria prudente um corte mais agressivo dos juros.

O risco de recessão cresceu, porque uma queda do PIB no quarto trimestre de 2008 é dada como certa. A projeção mais frequente para o número, que será divulgado na terça-feira pelo IBGE é de queda de 2% ante o terceiro trimestre.

Para que a recessão se caracterize, portanto, basta novo recuo da economia neste 1º trimestre. Até sexta-feira, era uma possibilidade prevista por poucos analistas. Agora, depois da divulgação do resultado da produção industrial, muitos admitem a hipótese. “A chance (de recessão técnica) aumentou muitíssimo”, diz o sócio da MCM Consultores e ex-diretor do BC, José Julio Senna. “Diria mais: a chance de um PIB negativo para 2009 é muito grande.” A estimativa da MCM é de um crescimento do PIB anual entre 1% e 1,5%. Senna avisa, porém, que o número será revisado para baixo.

Por causa desse cenário, a provável queda de 1 ponto porcentual da Selic (para 11,75% ao ano) na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) desta semana já é considerada por muitos especialistas modesta para o momento.

O diagnóstico que o presidente Lula recebeu de conselheiros econômicos, como Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo, é de que a crise exige redução mais veloz da taxa Selic. “A liberdade operacional do BC foi irrestritamente respeitada nos últimos seis anos de gestão Meirelles, mas o debate é democrático”, diz o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que participou da reunião.

Fonte: Diário do Grande ABC