Salão de Frankfurt mostra nova face da indústria


Depois de um longo período marcado por salões do automóvel chochos, desde o gelado evento de Detroit, em janeiro, o de Frankfurt será marcante para a indústria automobilística.

De 17 a 27 de setembro o encontro vai mostrar no Messegelände uma nova face do setor, emagrecido pelo tsunami que solapou estruturas, produtos, crenças e empregos.

As expectativas de recuperação do setor provocaram uma revoada em direção à exposição alemã, com montadoras raspando o tacho do budget de 2009 para erguer seus estandes.

Nos bastidores e nas coletivas de imprensa (dias 15 e 16) estarão em pauta perguntas sobre a retomada. Há prenúncios de bons negócios em 2010? GM e Chrysler vão entrar nos trilhos? Os emergentes vão dar as cartas no setor? Os asiáticos vão disparar no mercado? O carro verde e politicamente correto emplaca a partir de agora?

Há algumas respostas na própria exposição, que promete uma chuva de carros verdes, elétricos e híbridos. E inúmeros carros conceitos. Até aí nada de novo – esse tem sido o tom dos últimos eventos de Frankfurt, agora acentuado.

Sobre o futuro: Carlos Ghosn, presidente da Renault Nissan, diz que a retomada começa na Europa – mas no final de 2010. Até agora a recuperação nos países do primeiro mundo parece mais ligada do que nunca aos incentivos de governo.

Nos Estados Unidos e Alemanha bônus oficiais injetaram ânimo no mercado, mas o efeito está passando. Como no Brasil, onde mudanças no IPI são suficientes para mudar a trajetória das vendas – para baixo ou para cima.

A Rússia é um ponto de interrogação, mas as quedas nas vendas são menores. A Índia está em alta, enquanto a China dispara no ranking. O BRIC puxa os emergentes, que puxam o mercado para cima.

A nova GM toma forma, com um pé nos Estados Unidos e outro na China, onde Shangai ancora as operações internacionais da empresa. Ao que tudo indica, a subsidiária européia Opel ficará mesmo nas mãos da Magna e do Sberbank, que terão 55% de um negócio ainda questionável.

A GM sacrifica seu portifólio, tirando dele a Saab (ficará com a chinesa BAIC e a Koenigsegg sueca), a Hummer, Saturn e Pontiac (em desativação). Enquanto isso a Chrysler se agarra à Fiat, numa aventura imprevisível.

Novas mudanças, incluindo alianças e incorporações, devem acontecer. Devem envolver principalmente empresas chinesas endinheiradas. A Delphi escapou do Chapter 11, mas há uma fila de empresas de autopeças já nele ou próxima a entrar.

O tunami trouxe dificuldades para toda a cadeia, embora as luzes tenham ficado sobre as montadoras. O impacto sobre os fabricantes de autopeças e distribuidores, em especial nos Estados Unidos, ainda não foi totalmente evidenciado.

Todos esses temas estarão no noticiário associado ao Salão de Frankfurt, que será uma festa de carros extraordinários, mulheres bonitas e executivos ainda preocupados.
Fonte: Automotive Business