Seguradoras disputam venda de apólices para carros zero

Marcos Machini, da Indiana,                  Segmento tem melhor trimestre em cinco anos; empresas apostam em parcerias

LUCIANO MÁXIMO

Mesmo com a esfriada da economia nos últimos meses, a indústria automotiva conseguiu elevar as vendas de veículos leves, caminhões e ônibus no primeiro trimestre deste ano graças aos incentivos fiscais do governo. Com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o licenciamento de automóveis no País atingiu 668,3 mil unidades até março. As seguradoras brasileiras não desperdiçaram o momento e apostaram nas parcerias de prestação de serviços com concessionárias e na aproximação com corretores especializados para faturar mais com apólices de carros zero quilômetro, com direito a acirrada concorrência.

O volume de prêmios de seguros de veículos no primeiro trimestre de 2009 é de R$ 2,982 bilhões, a maior marca dos últimos cinco anos e quase 10% superior ao faturamento registrado nos três primeiros meses do ano passado.
De olho no segmento mais rentável do mercado segurador, que movimenta mais de R$ 10 bilhões por ano, as companhias se colocam frente a frente. Com pouca margem financeira e operacional para guerrear em termos de
preço, o alternativa encontrada foi tentar conquistar o cliente por meio de serviços diferenciados e parcerias estratégicas, seja com montadoras, agentes financiadores, lojas de carros e corretores.

A Indiana Seguros, empresa do grupo Liberty, saiu na frente ao se especializar nas vendas de apólices exclusivamente dentro das lojas por meio de assinaturas de acordos com associações de redes de concessionárias. O foco da estratégia é oferecer seguros personalizados e vantagens como emissão mais rápida de apólices, utilização das oficinas credenciadas das lojas em caso de sinistros, carro reserva, revisões periódicas e preços de franquia mais em conta, já que seguradora e concessionária têm mais liberdade para negociar o custo de peças de reposição e conserto de batidas.

No caso da Indiana, que conta com uma frota de 250 mil veículos segurados, a apólice é emitida dentro da concessionária no ato da compra do carro e o próprio mecânico da loja é o vistoriador do sinistro. “É menos uma burocracia, nós treinamos a equipe. Eles nos mandam fotos da ocorrência através de um software único já com o orçamento. Isso agiliza bastante o processo e reduz nosso custo operacional”, conta Marcos Machini, diretor da seguradora, que acaba de fechar parceria com a Credi Nissan, financeira da montadora japonesa, para lançar o Seguro Auto Nissan. O acordo permite que o cliente inclua automaticamente o seguro no valor do financiamento de um Nissan em 68 revendedoras no País.

Essa também é a estratégia da seguradora do Itaú Unibanco, mas o gerente de produtos da companhia, Adriano Fernandes, chama atenção para um diferencial: proposta de seguro via internet.
“No momento, estamos atuando forte na colocação de propostas online para ofertar o seguro junto com o financiamento ou em vendas tradicionais”, diz.
Já a questão das parceiras, explica Fernandes, é vista caso a caso no Itaú Unibanco, que conta com 1,2 milhão de veículos segurados.
“Tempos atrás fizemos discussões com associações de concessionários, aí é preciso conhecer e negociar com os vários intermediários. São vários donos, com interesses diversos, relacionamento com diferentes empresas
de corretagem e corretagem.”

Carlos Trindade, vice-presidente da SulAmérica, enfatiza a proximidade com o corretor. “Ele vende para mais de uma companhia e segue o seu interesse, olhando sempre para qualidade do serviço, comunicação, produto e preço. E ele vai sempre escolher a melhor seguradora para trabalhar”, explica.

Do faturamento de R$ 950 milhões da Mapfre no segmento seguro auto em 2008, o volume originado nas concessionárias é de 25%. Jabis de Mendonça Alexandre, da área de autos da seguradora espanhola, destaca: “Dentro desse canal procuramos ofertar preço menor e dar maior qualidade no serviço, como assistência e reposição com peças originais. É uma tranquilidade a mais para o segurado.”

Fonte: Gazeta Mercantil