Setor de automóveis seminovos sofre com a concorrência dos 0Km

Emerson Coelho
Do Diário do Grande ABC

A venda de veículos usados ainda não reagiu da mesma maneira que a de novos, mas também está reagindo. Os negócios no Estado cresceram 3,35% e no Grande ABC apenas 1%, de acordo com balanço divulgado ontem pela Assovesp (Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado de São Paulo) e pelo Sindiauto (Sindicato do Comércio Varejista de Veículos Usados no Estado de São Paulo).

“Esse aumento sinaliza um princípio de estabilidade no setor. Depois do péssimo último trimestre do ano passado parece que as vendas mostram alguma recuperação”, afirmou o presidente da Assovesp, George Assad Chahad.

Lojistas da região também sentiram a reação, mas reclamam das dificuldades do setor em competir com as concessionárias que ofertam veículos zero-quilômetro com preços menores em função da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

“Além do preço mais convidativo, as pessoas optam pelo zero por causa da garantia de um ano”, comenta o gerente de seminovos da Armando Veículos, Rudy Carvalho da Silva.

Apesar disso, Silva comenta que as vendas de seminovos melhoraram no último fim de semana. “Temos cinco lojas na região e em todas houve aumento nas vendas”.

Segundo a Assovesp, no Estado foram comercializados 139,7 mil usados em março, sendo 12,8 mil no Grande ABC. Os dados divulgados apontam que a maioria das negociações (77,8%) foi realizada com carros populares, um aumento de 1,5% deste tipo de veículo em relação a fevereiro.

No período, houve um aumento de 7% dos financiamentos em relação à fevereiro. O prazo médio passou de 48 para 47 meses. De todas as negociações de usados, as trocas representaram 50% dos negócios em março contra 48% em fevereiro.

Na contramão de outros veículos, os flex – que utilizam tanto a gasolina como álcool como combustível -, foram os únicos que se valorizaram: 0,15%. A desvalorização média dos usados foi de 1,18%, contra 1,64% dos populares e importados (2,07%).

MOTOS E CAMINHÕES – O segmento de motocicletas parece ter sentido mais a desoneração tributária e a provável queda nos preços das zero-quilômetro. Em março, as motos usadas tiveram crescimento quase imperceptível de vendas, 0,86%, com 7.279 negociadas no Estado contra 7.217 de fevereiro.

As vendas de caminhões usados reagiram bem em março. Foram 3.331 negócios e um aumento de 3,45% em relação a fevereiro.

Fonte: Diário do Grande ABC