Setor de autopeças terá retração


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

Enquanto as vendas de veículos zero-quilômetro se recuperam no mercado interno e devem fechar o ano com crescimento em relação a 2008, a previsão dos fabricantes nacionais de autopeças é encerrar 2009, na média, com retração de 11% a 13% no faturamento. Essa é a projeção do Sindipeças (Sindicato Nacional das Indústrias de Peças e Componentes Automotivos).

Diversos fatores colaboram para o desempenho mais fraco desse segmento, entre os quais a ampliação das importações por parte das montadoras e sistemistas (fabricantes de sistemas automotivos), segundo o presidente do sindicato patronal, Paulo Butori.

O dirigente explica que a apreciação do real frente ao dólar e a baixa alíquota de importação para autopeças têm feito os itens nacionais perderem competitividade frente aos produtos que vem de fora do País.

Isso porque a alíquota para importar aço gira em 15% e a que incide sobre peças e componentes de carros vai de 9% a 11%. Ou seja, o encargo é menor para trazer do Exterior o produto acabado do que para adquirir a matéria-prima. “E a oferta internacional (de autopeças) é grande, pela escassez de pedidos em outros países”, acrescentou Butori.

Fabricante de parafusos para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, a Acelik, de Mauá, registra faturamento 50% menor neste ano, por conta da perda de pedidos. O sócio-gerente, João Paschoal, avalia que um dos motivos é a concorrência com produtos chineses que têm invadido o mercado.

Outra indústria do ramo, a metalúrgica MRS, de Mauá, projeta queda nas vendas da ordem de 15% a 20% neste ano em relação a 2008. Para Fausto Cestari Filho, diretor da companhia, além de perderem espaço para os itens importados nos veículos, muitas pequenas fabricantes de autopeças tiveram de se ajustar, no início do ano, devido à falta de crédito. “Essas empresas perderam liquidez, tiveram de reduzir pessoal e estoques e acabaram se descapitalizando”, afirmou.

VOLUMES – Se na média, o setor registra vendas menores, há fabricantes que assinalam crescimento. É o caso da Miroal, fabricante de peças estampadas de automóveis (para filtros, buzinas, etc) com sede em São Bernardo.

O diretor, Milton de Castro, calcula que será possível ter incremento de 5% a 10%, semelhante à evolução das vendas de veículos novos no País.

Ele avalia que, por trabalhar com o fornecimento para a linha de automóveis, a empresa se saiu melhor do que as que atendem à área de caminhões e ônibus – que apenas nos últimos três meses mostra recuperação na demanda.

No entanto, Castro também teme a invasão de produtos estrangeiros. “Ainda não tive problemas, mas pode atrapalhar”, afirma.

Fonte: Diário do Grande ABC