Smart, o pequeno modelo é um desafio

Sem tradição de micocarros o smart chega
Sem tradição em microcarros, resta saber como o mercado brasileiro vai reagir diante da chegada do pequeno modelo.

Joel Leite e chicolelis – 9/11/2008 – 19h56

O lançamento do Smart Fortwo tem significados importantes. Não se trata simplesmente da chegada de um carro novo, mas de uma marca. Embora pertença ao grupo Mercedes-Benz, a Smart é uma marca independente. É também a estréia do Brasil num segmento jamais imaginado, o dos microcarros. O brasileiro vai absorver esse tipo de produto?

Essa dúvida leva a crer que a cartada é um verdadeiro desafio que a Mercedes-Benz do Brasil resolveu enfrentar.

Claro que a expectativa de sucesso do Smart está calcada em alguns atributos diferentes daqueles que costumam acompanhar os microcarros: uso racional, barato, fácil de estacionar, baixo consumo, ecologicamente correto. Barato ele não é, mas o preço anunciado também não está fora de propósito: será a partir de R$ 55 mil a versão coupé e R$ 60 mil a conversível. E oferece as demais vantagens de um carro dessa categoria (faz 24 quilômetros com um litro de gasolina!) além de equipamentos que efetivamente não são encontrados em carros deste nível, como o air bag, freios ABS e sistema de controle de tração.

Status e charme – De quebra, o Smart vai proporcionar ao seu proprietário o status que muitos carros grandes não têm. Afinal, é um modelo 1.0 mas com motor turbo de 84 cv e câmbio automático de série. E, pelo charme, o tamanho (2m69: um metro menor que o Gol!) deixa de ser problema para se transformar em atributo.

Surpresa para a maioria dos jornalistas que fazem a cobertura do setor automobilístico, foi o Smart se transformar numa das grandes atrações do Salão do Automóvel, mesmo ocupando um cantinho escondido no estande da Mercedes-Benz. É que a decisão da venda do carro no Brasil foi tomada na última hora, não houve tempo para colocar o carro em lugar de destaque.

Uma idéia de 10 anos – O conceito do Smart surgiu em 1970, quando se pensou um em veículo tipicamente urbano, capaz de vencer os pequenos espaços do trânsito das grandes cidades européias. A idéia tornou-se realidade em 1998, quando foi lançado o primeiro Fortwo, seguido pelo Cabrio (conversível) em 2000 e o Crossblade em 2002, todos da primeira geração. A segunda veio em 2007 e no ano seguinte começaram as vendas para os Estados Unidos. Em 2009, estará à venda aqui no Brasil e também na China. Desde o seu lançamento até agora, o Smart já vendeu mais de um milhão de unidades.

Para a Mercedes-Benz, o modelo não se destina a um tipo de público específico. Ele é bem recebido entre os jovens, os mais maduros e também os consumidores mais velhos. “Ele é procurado por aqueles que têm um atitude diferenciada, com estilo de vida urbano, preocupado com o meio ambiente e o design”, garante Mário Lafit, gerente de Marketing da marca. “O consumidor do Smart é um ser de bem com a vida”, resume o executivo.

Uma curiosidade é que, ao contrário de outros modelos cabriolet, o pequeno Smart permite que o seu teto solar seja aberto com o carro em movimento. Nos demais é necessário parar o veículo, puxar o freio de estacionamento e, depois disso, acionar o mecanismo elétrico que abre o teto solar.

Dúvidas – Phillip Schiemer, hoje vice-presidente de Vendas da Mercedes-Benz no Brasil, começou na montadora, na Alemanha, junto com o Smart, em 2000. “Confesso que não acreditava no sucesso do carro e fui transferido para a Smart. Aceitei por uma questão profissional, mas duvidava dos bons resultados do produto. Mas hoje estou feliz em trazê-lo para o Brasil e também quero ter o meu aqui”.

Fonte: Diário do Comércio