Smart, um saboroso desafio

Ele tem um metro a menos que o Gol e vai custar R$ 55 mil

Texto: Joel Leite

O lançamento do Smart Fortwo tem significados importantes. Não se trata simplesmente da chegada de um carro novo, mas de uma marca. Embora pertença ao grupo Mercedes-Benz, a Smart é uma marca independente. É também a estréia do Brasil num segmento jamais imaginado, o dos microcarros. O brasileiro vai absorver esse tipo de produto? Essa dúvida leva a crer que a cartada é um verdadeiro desafio que a Mercedes-Benz do Brasil resolveu enfrentar.

Claro que a expectativa de sucesso do Smart está calcada em alguns atributos diferentes daqueles que costumam acompanhar os microcarros: uso racional, barato, fácil de estacionar, baixo consumo, ecologicamente correto. Barato ele não é, mas o preço anunciado também não está fora de propósito: a partir de R$ 55 mil a versão fechada e R$ 60 mil a conversível. E oferece as demais vantagens de um carro dessa categoria (faz 24 quilômetros com um litro de gasolina!) além de equipamentos que efetivamente não são encontrados em carros dessa categoria: airbags, freios ABS e sistema de controle de tração.

De quebra, o Smart vai proporcionar ao seu proprietário o status que muitos carros grandes não têm. Afinal, é um 1.0, mas com um motor turbo de 84cv e o câmbio automático é de série. E, pelo seu charme, o tamanho (2,69m: um metro menor que o Gol!) deixa de ser problema para se transformar em atributo.

Surpresa para a maioria dos jornalistas que fazem a cobertura do setor automobilístico, o Smart deve se transformar numa das grandes atrações do Salão do Automóvel, mesmo ocupando um cantinho escondido no estande da Mercedes-Benz. É que a decisão da venda do carro no Brasil foi tomada na última hora, não houve tempo para colocar o carro em lugar de destaque.

Meio Ambiente

Embora não seja a tônica da exposição (como foi no Salão de Paris, no mês passado) a questão ambiental está presente no Salão do Automóvel. Muitas empresas estão apresentando soluções para a redução de consumo de combustível e a conseqüente redução de emissões de poluentes. E também opções de motor elétrico, de emissão zero.

A Fiat construiu um carro conceito híbrido, o FCC2, com dois motores: um a gasolina e outro elétrico. O carro é feito de material reciclado e fibras naturais.

A Volks também se rendeu ao apelo de redução de consumo. Mostrou uma tecnologia que reduz 15% do consumo, que será aplicada a partir deste mês no Pólo e em seguida no Fox e no Gol.

A Ford lançou um projeto para usar material reciclado e fibra de sisal na confecção de partes plásticas do carro e a Toyota mostrou o 1/X, um híbrido com um motor elétrico e um flex.

O Volt é a proposta da GM, com autonomia para rodar até 64 quilômetros com uma carga de bateria. A recarga é feita numa tomada de força doméstica. O Volt tem um motor a combustão para recarregar a unidade de força. O carro começa a ser produzido nos Estados Unidos em 2010.

Outras empresas estão expondo no Salão as suas propostas para a redução de emissão de poluentes, mas não com a empolgação dos franceses e alemães. Talvez porque o carro flex já aplaca a nossa culpa. Afinal, é o único projeto ambiental de grande porte que funciona direito em todo o mundo.

Fonte: Webmotors (29/10/2008)