Só 5 das 35 montadoras usarão etiquetas informativas em veículos

FELIPE NÓBREGA
da Folha de S.Paulo

Das 35 montadoras no país, apenas cinco aderiram ao Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular. Ainda assim, só 31 modelos foram catalogados, divididos em cinco categorias: sub-compacto, compacto, médio, grande e comerciais leves.

A baixa adesão tem explicação. De acordo com as normas do programa, ao decidir participar, a montadora precisa estampar os dados de consumo e de eficiência energética do veículo no manual do proprietário e nas concessionárias.

Já a etiqueta informativa com os dados, que motivou o programa e deveria ser pregada no vidro do carro, virou opcional. A proposta inicial era que o adesivo não poderia ser retirado do carro zero-quilômetro antes de ele deixar a revenda.

Na cerimônia que marcou o início do programa, anteontem, só a Kia e a Volkswagen confirmaram que irão pregar o decalque nos carros participantes.

A etiqueta é semelhante à que informa o consumo de energia elétrica de geladeiras.

A tabela veicular com o resultado dos testes pode ser consultada também no site do Inmetro . Ela será atualizada anualmente, sempre em outubro.

A Fiat, a Honda e a Chevrolet, que também aderiram ao programa, ainda não sabem quando irão iniciar o processo de etiquetagem.

A expectativa é que a adesão aumente gradativamente, até por pressão do consumidor.

“Foi assim em outros países”, lembra Mozart Queiroz, gerente de desenvolvimento energético da Petrobras. Mas só no Japão, na China e nos EUA o selo é obrigatório.

Laboratório

Para seguir um padrão de medição, os testes veiculares de consumo de combustível, tanto urbano como rodoviário, são aferidos em laboratório.

“No trânsito real, as médias tendem a ser piores”, alerta João Jornada, presidente do Inmetro. Aspectos como qualidade do combustível e pressão dos pneus podem influenciar negativamente no consumo.

Para que os dados divulgados na etiqueta veicular não sirvam apenas como um fator de compra, a rede de concessionárias Volkswagen planeja instruir o comprador do automóvel com técnicas de direção eficiente, para que ele consiga otimizar o consumo e diminuir a emissão de gases poluentes na atmosfera.

Fonte: Folha Online