Sob pressão, Wagoner renuncia. Henderson é o CEO da GM.

Rick Wagoner não é mais CEO da General Motors. Ele renunciou ao cargo diante das pressões da administração Obama, que pode anunciar hoje um pacote de ajuda à companhia e também à Chrysler.

Amanhã, 31 de março, é o dia determinado pelo governo para que GM e Chrysler apresentem seus planos de reestruturação. Fontes ligadas ao governo, no entanto, admitiram que a primeira ganhará mais sessenta dias para rever seu projeto e a Chrysler trinta.

Frederick Henderson, COO da GM, assume o cargo de Wagoner, cuja permanência à frente da companhia vinha sendo criticada. A montadora perdeu US$ 82 bilhões desde 2004 e o valor de suas ações caiu 95% desde que ele assumiu como CEO. Em 2008 a montadora teve um prejuízo de US$ 30,9 bilhões. Em 2007 a perda havia sido de US$ 43,3 bilhões.

Kent Kresa, chairman emérito da Northrop Grumman, que vem atuando como diretor da GM desde 2003, será o chairman interino do board da montadora.

A GM, assim como a Chrysler, vem trabalhando em programas de reestruturação, que Barack Obama classifica ainda como insuficientes para evitar a falência. Para ele, será preciso tomar decisões ainda mais profundas e dolorosas. A renúncia de Wagoner seria uma dessas decisões, tornando mais dramática a solução que o governo desenha para a indústria automobilística.

A GM já recebeu US$ 13,4 bilhões do Tesouro norte-americano e quer outros US$ 16,6 bilhões. Chrysler obteve US$ 4 bilhões e precisa de mais US$ 5 bilhões para garantir seu fluxo de caixa. As duas companhias empregam 140 mil trabalhadores nos Estados Unidos.

GM e Chrysler obtiveram avanços nas negociações com os sindicatos de trabalhadores. A primeira, no entanto, ainda patina em conseguir uma redução pretendida de dois terços da dívida de US$27 bilhões junto a acionistas. O programa de reestruturação das duas empresas passa por uma série de entendimentos com todos os players da cadeia de produção e distribuição, desde funcionários da montadora, fornecedores, acionistas, credores e revendedores.

Wagoner e Fritz no Brasil

Wagoner, 56, desenvolveu a carreira na General Motors a partir de 1977, tornando-se CEO em 2000 e chairman em 2003. De 1991 a 1992 foi presidente da General Motors do Brasil. Nos anos 80 ele já havia trabalhado na filial brasileira, na área financeira.
V Na edição de 20 de novembro a Business Week já avaliava Frederick (Fritz) Henderson como uma alternativa a Wagoner no comando da GM. Conhecedor das coisas de Detroit, ele dedicou metade de seus 49 anos à GM e tem uma boa abertura para negociar com os sindicatos trabalhistas.

Henderson, a exemplo de Wagoner, também foi presidente da General Motors do Brasil. Sua saída do cargo foi anunciada em 28 de março de 2000. Promovido a vice-presidente da GM e presidente das operações regionais da América Latina, África e Oriente Médio (LAAM) ele foi substituído pelo argentino Walter Wieland. Fontes

As informações deste artigo editado por Automotive Business foram colhidas junto aos websites das agências de notícias Automotive News, jornal Detroit News, Business Week e Estadão de 30 de março
Fonte: Automotive Business