Startup da GM quer lançar carro sem volante ou pedais

A Cruise, startup da americana General Motors (GM), tentará mais uma vez lançar um veículo sem pedais ou volante. A empresa, que buscava aprovação das autoridades americanas para produzir um modelo autônomo nos moldes da plataforma Chevrolet Bolt, decidiu retirar a solicitação para, em parceria com a Honda, centrar esforços em um novo projeto: o Cruise Origin. O veículo contará com apenas dois bancos compridos, um de frente para o outro, que podem comportar até quatro pessoas. O objetivo da montadora é começar a produção até o fim de 2021 ou início de 2022, mas o processo de implementação e sobretudo de testes desses veículos é longo e complexo, ou seja, talvez não será possível admirar esses automóveis pelas ruas das cidades tão cedo.

A startup obteve permissão para testar sua frota de 180 carros autônomos na cidade de São Francisco. É a quinta empresa a conseguir tal feito por lá. Antes, seres humanos precisavam estar no interior dos veículos para supervisionar o processo, mas agora os testes podem ocorrer sem a presença deles, a uma velocidade de até 48 km/h. “É certo que em algum momento vamos vivenciar essa revolução, mas acredito que isso vá levar algum tempo. Não será em dez anos que vamos ter carros autônomos passeando pelas ruas, é um sonho distante ainda”, analisa Milad Kalume Neto, gerente de desenvolvimento de negócios da consultoria automotiva Jato Dynamics. “A produção de carros elétricos é um sonho mais real, por exemplo, até porque alguns países da Europa vão proibir carros movidos à combustão até o ano de 2030. A questão dos autônomos é mais difícil, poucas cidades no mundo permitem os testes desses veículos, mas isso não deixa de ser um movimento interessante da GM, mostra que a empresa está antenada com o futuro da produção e tem tecnologias avançadas para o desenvolvimento desses automóveis.”

A produção dos veículos autônomos deve acontecer na planta de Hamtramck, localizada em Detroit, nos Estados Unidos. Vale lembrar que, em 2019, a GM quase encerrou as atividades no local, que é considerado o berço da indústria automobilística norte-americana. Mas, no início de outubro, a planta ganhou sobrevida e passou a se chamar Factory Zero, após o anúncio de investimentos da ordem de 2,2 bilhões de dólares (12,4 bilhões de reais). A intenção é contratar 2.200 novos funcionários para a fábrica. Com isso, a marca quer produzir veículos com 100% de energia renovável até 2030 e tornar sustentáveis todas as suas plantas até 2040.