Teste CARPLACE: JAC T5 – cabe mais um no clube dos SUVs compactos?

 Por: Daniel Messeder Poderíamos começar falando mais uma vez sobre a evolução dos carros chineses e que o T5 é o melhor JAC e blá, blá, blá… Mas vamos aos fatos: quando o mercado está bom, vende-se de tudo. Há oportunidade para cópias baratas vindas da China, SUVs de luxo de importação não oficial, esportivos de nicho e marcas oportunistas de plantão. Só que a realidade brasileira hoje é bem diferente, e não basta “apenas” ser bom e ter preço. Em tempos de vacas magras, como o que vivemos, o consumidor precisa se sentir seguro para colocar seu dinheiro num carro. Seguro com o produto e, claro, com a empresa que está por trás dele.A JAC tem feito seu dever de casa. Talvez a euforia do lançamento nacional em 2011, inaugurando 50 lojas no mesmo dia, tenha sido exagerada, mas a ideia era impactar mesmo. Veio a super taxação dos importados e o plano da fábrica da marca na Bahia, que iria abastecer nosso mercado com uma nova linha de compactos sucessora do J3. Esqueça: com a nova ordem do mercado nacional, que dos 5 milhões de carros previstos mal deve fechar com 2 milhões neste ano, o momento é de cautela. E de não cometer erros.A nova aposta da JAC chega no segmento certo: SUVs compactos são a bola da vez, engolindo sem dó o mercado de peruas, minivans, hatches médios e outros. A princípio importado da China, o T5 tem porte, equipamentos, estilo agradável e espaço interno digno de categoria superior. Tabelado a R$ 59.990 na versão de entrada, vem por baixo do EcoSport tentando conquistar quem ainda não foi para um SUVs, mas está namorando um Sandero Stepway ou um HB20X, por exemplo. No lugar do futuro J3, é o T5 que será feito na fábrica baiana em esquema de CKD a partir de 2017, agora um projeto bem menor R$ 200 milhões bancado somente pelo empresário Sergio Habib, sem participação da JAC chinesa.Dirigir o T5 é repetir a tal história da evolução chinesa. É melhor que o T6, que nós havíamos dito ser o melhor JAC até então. Mas ainda tem seus pecados. Vamos olhar primeiro para o acabamento, que era um ponto de forte reprovação dos chineses. O novo “jipinho” é bem montado, usa componentes de melhor qualidade e transmite mais solidez que seus irmãos. O painel é bonito, bem avançado, enquanto o quadro de instrumentos tem toque futurista e os painéis de porta são surpreendentemente agradáveis de ver e tocar. Teria a JAC conseguido desta vez? Bem, faltou mudar o forro do teto, que continua parecendo de carro velho, e providenciar bancos melhores, entre outros detalhes.Na convivência nota-se problemas de ergonomia no T5. A alavanca do freio de mão fica espremida no banco do motorista, não cabendo a mão ali para soltá-lo perfeitamente. Atrás, falta uma guia para o cinto de segurança nas laterais, pois a fita pega bem no pescoço de quem senta ali – e olha que tenho 1,78 m, imagine para os mais baixos. Os bancos também deixam a desejar: falta apoio lateral, apoio nas coxas e o encosto é reto. Após algumas horas de viagem seu corpo reclama. Também falta o ajuste de profundidade da direção, pois o volante acaba sempre mais perto de gostaríamos.Pelo lado bom, o espaço no banco traseiro é destaque. Três pessoas podem se acomodar sem aperto nos ombros ou pernas, enquanto as portas abrem em bom ângulo e a altura dos bancos facilita o acesso à cabine. O porta-malas também merece elogios. A JAC divulga padrão americano até o teto 600 litros, mas até a linha das janelas o compartimento é com certeza maior que o de EcoSport e Renegade, talvez rivalizando com o HR-V. Sem estepe na tampa, ela abre para cima, não exigindo espaço extra na garagem.Embora seja classificado como SUV compacto, o T5 tem um quê de minivan em suas linhas, especialmente na dianteira e na coluna B bastante avançada. O motorista viaja em posição eleva
Fonte: UOL Carros/Carplace