Teste em uso real pode tirar de linha carros diesel na Europa

 Fabricantes alertam que será difícil cumprir metas de redução de CO2
REDAÇÃO AB

Divulgada há pouco mais de um mês, a fraude sobre emissões de poluentes descoberta em carros diesel com o motor EA189 do Grupo Volkswagen já começa a sinalizar estragos importantes para as demais montadoras europeias. Na semana passada, a Comissão Europeia CE votou pela adoção, a partir de setembro de 2017, de testes mais rigorosos para esses veículos na Europa, incluindo avaliações em condições reais de uso, rodando em ruas e estradas, numa tentativa de evitar a manipulação dos números obtidos em laboratório – o que aconteceu no caso da Volkswagen com a utilização de um software para detectar a realização de testes e alterar emitir menos gases nessas condições. Segundo alertou a Acea, a associação que reúne 15 fabricantes na Europa, a proposta da CE é considerada rigorosa demais e poderá tirar de linha muitos dos automóveis a diesel que circulam atualmente. “O modelo rigoroso de teste RDE sigla em inglês para ‘emissões em circulação real’ será extremamente difícil de ser alcançado no curto prazo. Como consequência direta, um substancial número de modelos terá de ser tirado de linha antes do planejado”, afirmou a entidade em comunicado. “Além das sérias implicações econômicas que isso acarreta, será mais desafiador cumprir as metas de redução de emissões de CO2 até 2021, pois motores diesel emitem de 15% a 20% menos CO2 do que seus similares a gasolina”, informa a Acea. DILEMAA legislação europeia está diante de um dilema: ao mesmo tempo em que impõe severas limitações de emissões de poluentes para veículos diesel, também coloca metas de redução de CO2 – que não é um gás poluente, mas um dos responsáveis por causar efeito-estufa que contribui para o aquecimento do planeta. O problema é que os dois objetivos estão se mostrando antagônicos. Os carros diesel consomem menos combustível e por consequência emitem menos CO2, são também mais baratos do que elétricos ou híbridos e por isso, para todas as montadoras instaladas na Europa, representam a estratégia mais viável para cumprir as metas de redução de emissões de gases de efeito-estufa. Por outro lado, o diesel polui mais do que a gasolina. Por isso os motores diesel requerem sofisticados sistemas de tratamento que influenciam diretamente potência, consumo e o custo desses veículos. Pelo que informa a Acea, o teste proposto pela CE em reais condições de uso do veículo tem potencial para reprovar o nível de poluentes de boa parte dos modelos vendidos atualmente. Com isso, desmonta-se a reboque toda a estratégia de redução de CO2 traçada pelas montadoras europeias. “A indústria automotiva está pronta a se engajar com os legisladores da Europa para examinar como reconciliar níveis mais elevados de qualidade do ar com as ambiciosas políticas sobre mudanças climáticas”, afirmou em nota Erik Jonnaert, secretário geral da Acea. “Os testes RDE de carros em condições reais de condução serão uma adição aos requerimentos atuais de avaliação e homologação, fazendo da Europa a única região no mundo a adotar esses tipos de testes em seus veículos”, acrescentou. A Acea ressalta que “são bem conhecidas” as diferenças entre testes em ciclos de laboratório e condições reais de uso de um veículo. A proposta de adoção do RDE tem o objetivo de fechar essa lacuna, mas a associação dos fabricantes europeus alerta que devido às diferenças de condições não podem ser exigidos resultados iguais nos testes em bancada e nas ruas. A Acea também alerta que não devem ser impostos limites estreitos demais, que seriam excedidos em condições raras de utilização na vida real, dificilmente vivenciados pela maioria dos motoristas.
Fonte: Automotive Business