Tombo nas vendas de veículos já era esperado pela Anfavea

 Com queda de 38,8%, mercado somou 155 mil unidades em janeiroGIOVANNA RIATO, ABO tombo das vendas de veículos no Brasil em janeiro preocupa, mas não surpreende a Anfavea, associação as montadoras. Em coletiva de imprensa na quinta-feira, 4, o presidente da entidade, Luiz Moan, assegura que a queda já era esperada. “Já sabíamos os resultados do primeiro trimestre deste ano  Isso acontece, segundo a entidade, por causa da base de comparação forte, com bom volume de vendas em janeiro de 2015, quando a alíquota do IPI voltou a ser cobrada integralmente, mas algumas marcas ainda vendiam carros do estoque com desconto no imposto. O resultado de janeiro também pode ter sido impactado pela corrida das montadoras no mês anterior para emplacar carros e fechar o ano com boa posição no ranking de vendas. Com isso, o mês passado terminou com apenas 155,2 mil unidades vendidas, entre veículos leves e pesados. O volume é 38,8% inferior ao registrado um ano antes e 31,8% menor do que o anotado em dezembro. É o patamar mais baixo para janeiro desde 2007, quando o mercado interno somou 152,9 mil veículos. Houve queda importante nas vendas de veículos leves, de 38,7%, para 149,8 mil unidades. Ainda assim, mais uma vez o maior tombo foi registrado no emplacamento de pesados leia aqui. O licenciamento de caminhões novos diminuiu 45,4% e chegou a 4,4 mil veículos. No segmento de ônibus a baixa foi de 44,9%, para apenas mil chassis. EXPECTATIVAS Ainda que a Anfavea amenize a forte queda das vendas de veículos, a média diária de janeiro foi menor do que a projetada pela entidade. No início de 2016 Moan declarou esperar que os emplacamentos se mantivessem no patamar de 9,4 mil veículos/dia ao longo deste ano. O resultado de janeiro foi bastante inferior a este patamar. O mês, que teve 20 dias úteis sem descontar o feriado do aniversário de São Paulo, maior mercado nacional de veículos, somou apenas 7,7 mil emplacamentos/dia. Mesmo com o resultado, a Anfavea sustenta a projeção para o ano. Na análise da entidade o mercado interno convergirá para queda menor, de 7,5% na comparação com 2015, com 2,37 milhões de emplacamentos. Moan assegura que não pretende recorrer ao governo em busca de alívio para o momento difícil. “Entendemos a necessidade de ajuste fiscal e não vamos pedir redução de carga tributária”, aponta. Segundo ele, os encargos chegam a 27,1% dos custos de um veículo 1.0. Para o executivo, a crise enfrentada pela indústria automotiva local é passageira e o mercado brasileiro permanece promissor. “Nossa taxa de motorização é baixa, em torno de 5,5 habitantes por veículo, menor do que a que vemos na Argentina”, calcula. Segundo ele, este é um indicador do potencial para o longo prazo. “O Brasil vai superar a marca dos 5 milhões de veículos por ano”, aponta, sem arriscar um prazo para que isso aconteça.
Fonte: Automotive Business