Vale a pena ter dois carros?

Toyota-Etios-2018-9-1024x682 Vale a pena ter dois carros?

Um é pouco. Dois é bom. Três é demais? Bom, isso depende do tamanho da garagem e do bolso, mas normalmente, o brasileiro tem em média um carro, ainda mais por conta do poder aquisitivo menor do que em outros países, especialmente aqueles com mercados consolidados. Porém, com a vida cada vez mais corrida, as famílias acabam sendo obrigadas a ter mais de um carro na garagem e dois é um número que atende boa parte dessas pessoas, que precisam estar em seus trabalhos, geralmente em locais e horários diferentes.

Seja o marido indo para um lado e a esposa para o outro. Ou mesmo os filhos que precisam estar na faculdade. Quem sabe um carro para o dia a dia e outro focado no fim de semana. Pode até ser que um segundo carro seja necessário para contornar o rodízio municipal.

Enfim, existem vários motivos para ter dois carros. Mas será que vale a pena? Bom, isso vai depender de diversos fatores. No geral, vantagem existe, afinal, se o marido sai com um carro e a esposa precisa de outro, sempre terá a segunda opção na garagem. Porém, os custos é que são o ponto fraco de se ter dois carros na garagem.

Há mais de 30 anos, o pai de família sustentava a casa sozinho e um carro na garagem era o sonho em muita gente. Se ele fosse ao trabalho com transporte público ou fretado, o carro ficaria parado em casa, o que obrigatoriamente faria a esposa utiliza-lo para levar as crianças à escola e traze-las de volta. Se ele assumisse o volante diariamente para suas atividades profissionais, a mãe de família teria de contar com vans escolares ou mesmo o transporte público. Não existia Uber ou serviços por aplicativo. Aliás, nem smartphone ou celulares.

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Mas os tempos mudaram, seja pelo aumento da renda familiar, seja pela busca de maior autonomia financeira ou profissional, muitas famílias hoje possuem dois carros na garagem porque a esposa trabalha e precisa do carro. Nisso, ela já passa na escola para deixar e pegar os filhos e vai ao trabalho, compras, academia ou mesmo faculdade. Da mesma forma, os filhos cresceram e precisam ir à faculdade e assim, um segundo carro surge como alternativa para muitas famílias, pois amplia a autonomia dos filhos em relação aos pais, nesse sentido.

Então, ter dois carros na garagem se torna uma vantagem, mas não apenas para famílias de classe média. Infelizmente, o sistema de transporte público piorou nos últimos anos e com o aumento da renda em igual período, muita gente trocou ônibus, trem e metrô pelo automóvel. E isso não ocorreu apenas em famílias com poder aquisitivo maior. Mesmo em regiões de periferia, a quantidade de automóveis é enorme e algumas famílias já dispõe de mais de um carro em casa. Nesse caso, a necessidade fala ainda mais alto.

Com os preços dos automóveis hoje em dia, nas alturas, ter dois carros realmente requer um aporte financeiro grande. Isso, é claro, se forem zero km. Para quem precisa te-los na garagem, nessas condições, é necessário pelo menos em torno de R$ 65 mil para comprar dois modelos bem baratos, subcompactos de entrada, tais como Renault Kwid e Chery New QQ, por exemplo. Não é o sonho de muita gente, é verdade, mas em termos de necessidade de transporte próprio com garantia de fábrica, é o que dá para levar.

Para algo como um carro principal mais consistente e um segundo carro alternativo, seja para filhos na faculdade ou carro reserva para outros fins, tal como escapar do rodízio municipal, então o montante adequado começa em uns R$ 100 mil. Ou seja, um compacto completo em torno de R$ 65 mil (note, o mesmo valor daquela dupla de populares) e um subcompacto de R$ 35 mil.

E os custos? Bom, dependendo do estado, o IPVA gira em torno de 4%. Levando-se em conta esse máximo, isso significa anualmente um gasto de R$ 2.600 no primeiro caso e R$ 4.000 no segundo. Não mudará nada se a opção for por dois carros de igual nível, ou seja, dois de R$ 50 mil. Nesse caso, haveria um equilíbrio dentro de casa para marido e esposa usarem carros que ofereçam conforto e espaço semelhantes. Ou seja, evitaria até discussões a respeito disso.

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Fora isso, é preciso levar em consideração os custos de manutenção, no caso revisão, que dependendo do modelo, variam de R$ 2.300 a mais de R$ 4.000, mas até 60.000 km. Existe ainda a questão do seguro, que não será dobrado, pois se forem modelos diferentes, as cotações não serão iguais, mesmo que o proprietário seja o mesmo. Custos com combustíveis serão mais elevados, igualmente não necessariamente duplicados em relação a ter um carro só. Isso sem contar DPVAT e Licenciamento, que realmente serão duplicados por não estarem relacionados com o modelo ou marca. Lavagem e outros gastos serão variados.

Ou seja, existe a vantagem do conforto de poder ir e vir, mesmo com a alta dos aplicativos de transporte, que funcionam bem dentro das cidades, mas são inviáveis para deslocamentos muito longos ou de uma cidade para outra. Quem trabalha nessas condições, um carro próprio se torna imprescindível. Mas, e quem não pode ou não quer dispor desses valores, mas precisa de dois carros? O mercado de usados está aí para responder.

Levando em conta os valores mencionados, com R$ 65 mil dá para comprar dois bons carros seminovos num nível próximo ou semelhante ao do primeiro carro da família na simulação de R$ 100 mil. Pode-se adquirir hatches, sedãs, minivans ou mesmo utilitários esportivos. Mas é aquilo, quanto mais exigente for na escolha de um determinado modelo, tipo SUV ou sedã médio, por exemplo, mais a idade da oferta aumentará. No caso de R$ 100 mil, a exigência tem mais espaço na escolha dos veículos, pois dois carros usados de R$ 50 mil apresenta um leque enorme de possibilidades.

Nesse caso de carro usado ou seminovo, é preciso ter em mente que a manutenção fora da garantia terá de ser feita com atenção e em oficinas de confiança. Os custos poderão ser até maiores, caso danos mais graves ocorram. Porém, se estiverem em dia com a mecânica, a tendência é um custo menor para mante-los ao longo do tempo.

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