Venda de carro começa a sentir efeito da crise

DCI | 8/10/2008 – 09h28

Com taxa de juros em torno de 37% mais alta do que no ano passado, o setor automotivo começa a sentir na prática os efeitos da crise internacional. Prova disso é que até mesmo as empresas mais otimistas estão revendo as projeções de vendas e devem crescer menos do que o esperado. No caso de uma situação ainda mais alarmante no cenário internacional, e um impacto profundo no mercado interno, por conta da redução do crédito e da alta de juros, o setor poderá, no pior dos casos, visualizar uma inversão de cenário com relação ao final do ano passado, quando havia enorme demanda de consumidores e dificuldade no fornecimento de veículos, com filas de espera de até três meses. Agora, as concessionárias afirmam que têm estoque, mas a dúvida é se a demanda continuará ou se haverá uma inversão desse quadro.
A Viamar, que detém sete concessionárias da Chevrolet, marca da General Motors (GM), afirma que o mês de setembro foi bom em vendas, mas, a partir de agora, aguarda o modo como o consumidor deve se comportar e irá reagir às notícias de menor crédito, o que acabaria levando a uma diminuição do fluxo nas lojas.

Segundo Mauro Cogo, gerente de Vendas de Zero-quilômetro da Viamar, a rede pretende manter a meta de 1,2 mil carros vendidos por mês e estará satisfeita se conseguir uma margem de crescimento de 10% sobre 2007, que foi o melhor ano em vendas. Mas os parcelamentos já diminuíram.

“Antes, a maioria dos financiamentos era de 72 vezes. Agora são de 60 vezes. Os bancos começaram a ficar mais exigentes para conceder crédito, desde o começo do ano.” O gerente ainda diz que era possível oferecer condições especiais, como financiamentos sem entrada e com as primeiras parcelas depois de 4 meses, o que não acontece mais. De 65% a 70% das vendas feitas pela Viamar são financiadas.

As taxas de juros sofreram reajustes e, em comparação com o ano passado, chegam a estar 37% maiores. A rede também não tem certeza de como ficarão as vendas neste final de ano, que, próximo ao Natal, costuma crescer de 10% a 15%. Em relação à falta de veículos, o gerente diz que isso aconteceu só ano passado, e não devem faltar carros, pois estão com estoque firmado para atender à demanda até novembro. O estoque é regulado semanalmente, pois costumam fazer pedidos com cerca de 40 dias de antecedência.

A Sabrico, que pertence ao grupo português Sorel e possui quatro concessionárias de veículos na capital paulista e cerca de 12% de participação na marca Volkswagen na Grande São Paulo, afirma que redesenhou a meta de crescimento de 25% para 19% até o final deste ano, quando previa vender 15,4 mil unidades, frente a 13 mil vendidas no ano passado.

De acordo com Marcos Dadalti, diretor comercial e operacional da empresa, que também possui concessionárias de caminhões na Região Sul, a Sabrico tem estoque e não deve reduzir o número de pedidos para o final do ano, já que aguardava alguns modelos. “Não vamos diminuir [os pedidos]: nós temos uma carteira que não foi atendida com a fábrica, pois havia espera por determinados modelos, o que agora deve ser normalizado.”

O diretor diz que não houve alterações nos prazos de pagamento das parcelas, mas a rede, que financiava perto de 70% das suas vendas, deve fechar este ano com 60% das vendas financiadas. Para impulsionar o varejo de veículos no final do ano, a meta é criar ações de vendas com os novos modelos Gol e o Voyage, lançado este mês.

Produção

Diante da forte demanda de 2007, as montadoras aumentaram a produção e passaram a trabalhar até em terceiro turno, mas, diante dos efeitos da crise externa, tiveram de desacelerar, tanto que fábricas como a da GM e da Fiat anunciaram férias coletivas, alegando motivos externos.

Mesmo assim, para o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze, o cenário já era previsto desde o começo do ano, pois haveria uma acomodação natural do mercado, que crescia a taxas altíssimas. Este ano, a entidade prevê alta de 19% das vend
Fonte: Webtranspo