Vendas de veículos: Fenabrave espera queda de 0,5% em 2015

Nova legislação de retomada dos carros por bancos pode salvar o ano

 

GIOVANNA RIATO, AB

Depois do difícil 2014, este ano
promete trazer mais desafios para o setor automotivo. A Fenabrave, federação
dos distribuidores de veículos, projeta que as vendas vão
diminuir 0,5%, para 3,47 milhões de unidades. Segundo a entidade, devem ser
emplacados 2,47 milhões de automóveis, 832,1 mil comerciais leves, 135,4 mil
caminhões e 31,8 mil ônibus. A contração reflete o alto comprometimento da
renda das famílias, que enfrentam dificuldade cada vez maior para comprar novos
bens. Este movimento pressiona para cima os índices de inadimplência, outro
fator preocupante, já que o aumento dos calotes faz com que os bancos elevem a
cautela para liberar crédito. Hoje são aprovadas apenas três em cada 10 pedidos
de financiamento.

A situação pode ser revertida por um fator novo: a legislação que facilita para
os bancos a retomada de carros de clientes inadimplentes, aprovada em novembro
do ano passado. A Fenabrave não considerou a influência da medida ao fazer as
projeções, já que ainda não se sabe o real impacto da lei no mercado. Ainda assim,
as expectativas são altas, com possibilidade de aumento da oferta de crédito
com taxas de juros mais atrativas. “Estimamos que a medida possa gerar o
equivalente a um mês adicional de vendas no ano, somando mais de 200 mil
emplacamentos”, avalia Alarico Assumpção Jr., que assumiu a presidência da
Fenabrave em 1º de janeiro.

A economista Tereza Maria Dias, diretora da MB Associados e responsável pelas
projeções da Fenabrave, não indica qualquer otimismo para os próximos meses. “O
PIB deve ter crescimento próximo de zero este ano e a redução do nível de
consumo deve persistir”, analisa. Ainda assim, a especialista reconhece um
sinal positivo no cenário econômico: a nomeação de Joaquim Levy para o
ministério da Fazenda. “Esta medida elevou a confiança dos empresários, o que é
essencial para que o País receba investimentos.”

DESAFIOS PARA 2015

O presidente da federação lembra que o mercado enfrentará em 2015 a volta da
cobrança integral da alíquota do IPI. O governo oferecia desconto para o
tributo desde 2012 como forma de incentivar as vendas, mas, desde o início
deste ano o imposto que ficava entre 3% e 10% para automóveis passou a variar
de 7% a 13%. Ainda assim, a Fenabrave indica que o setor trabalha com cerca de
44 dias de estoques de carros com as alíquotas antigas.

Passado o período de negociar estes modelos, Assumpção prevê que, ao absorverem
o aumento da alíquota, os preços dos carros tenham alta média de 3,5% a 5% para
o consumidor final, dependendo da estratégia de cada montadora. Tereza enfatiza
que o aumento é pequeno, mas que tem potencial para gerar forte impacto em um
ano como este, em que o consumidor tenta conter gastos.

Outra barreira às vendas em 2015 afeta os veículos pesados. As condições de
financiamento pelo Finame PSI foram revistas e agora estão menos favoráveis com
taxas de juros entre 9% e 10% e necessidade de dar entrada de 30% ou 50%,
dependendo do tamanho da empresa. Apesar das mudanças, Assumpção entende que
este não é o principal fator de influência das vendas. “O setor de caminhões
depende do crescimento da economia”, salienta. Segundo ele, as condições ainda
são interessantes, com taxas menores d
Fonte: Automotive Business