Volta do IPI infla tributos sobre carros


Wagner Oliveira
Do Diário do Grande ABC

O Brasil voltará a ser um dos líderes do ranking dos países com a maior carga tributária sobre veículos com o restabelecimento da cobrança total do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) a partir de janeiro.
Apenas em impostos diretos que incidem sobre o preço final, a carga varia de 22,2% a 36,4%, tornando o automóvel brasileiro também um dos mais caros do mundo – quem viaja ao exterior sente calafrios quando compara preços praticados lá fora e aqui.
Em cinco anos, o Brasil saiu de décimo para o quinto maior mercado do mundo, posição que deve ser consolidada neste ano com a projeção de 3 milhões de veículos que indústria faz para vendas internas em 2009 – aumento de 6,4% sobre 2008.
Mas nem com o crescimento da frota e produção, os impostos cedem. A renúncia fiscal de até 7% no IPI % de dezembro de 2008 a setembro deste ano foi adotada temporiamente como estratégia do governo federal para retomar as vendas no período da crise mundial.
O Brasil é disparado o maior cobrador de impostos quando comparado aos outros países detentores dos grandes mercados mundiais. Com taxa média de 26,4% em impostos, o País supera Itália (16,7%), França (16,4%), Alemanha (16%), Reino Unido (14,9%), Espanha (13,8%) e Estados Unidos (6,1%), de acordo com dados apurados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
“Assim como no tempo da inflação, o brasileiro aprendeu a conviver com a alta carga tributária, não só para os automóveis”, afirma o prefessor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Paulo Roberto Garbossa, consultor na área automotiva pela ADK.
“Se somarmos todos impostos diretos e indiretos, é como se consumidor pagasse um carro para a montadora e outro para o governo”, diz José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors.
Brasil estrutura sua tarifação com base na motorização e tipo de combustível. Assim, um veículo de 1000 cc paga 22,2% em impostos. Carros a gasolina, de 1000 a 2000 cc, tem carga de 26,4%, enquanto o flex é de 25,8%. A tributação mais alta é para veículos a gasolina acima de 2000 cc.
A estatística da Anfavea só vefiricou impostos incidentes sobre o preço do veículo ao consumidor, que no Brasil estão na forma de IPI, ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).
Para Garbossa, o consumidor brasileiro, pelo que já paga, poderia já estar comprando carros mais avançados tecnologicamente, caso a carga tributária fosse menor. De acordo com ele, o dinheiro que está sendo destinado aos impostos serviria para pagar sistemas eletrônicos mais avançados, como o que evita capotamento, além de freios ABS.
Garbossa diz que o brasileiro ainda terá de conviver pelo menos mais uma década com a alta carga tributária incidente sobre os veículos. “Com os programas sociais, previdência e uma longa infra-estrurura para tocar, o governo não vai reduzir estes impostos tão cedo”, acredita.
Fundador da Embraer, o professor Ozires Silva é dos dos mais críticos do modelo tributário brasileiro. “Toda uma geração vai precisar mudar para que uma mentalidade nova surja”, afirmou Silva, para quem os impostos excessivos retardam o desenvolvimento e a competitividade o País.
Veículo popular perde competitividade
Quando a fabricante indiana Tata anunciou há dois anos o Nano por US$ 2,5 mil pouca gente acreditou que o veículo popular pudesse ser vendido no Brasil por esse preço. A carga tributária interna, somada aos impostos para importação, duplicaria o valor do automóvel, caso fosse vendido aqui. Além do mais, modificações para atender a legislação e as duras condições de rodagens em vias brasileiras, poderiam encarecer ainda mais o pequeno veículo, que na Índia tem um apelo totalmente popular.
Comparado com outros países, o custo do carro dito popular no Brasil ainda é muito alto, ficando, dependendo da oscilação cambial, acima de US$ 15 mil. Para o presidente da Fiat, Cledorvino Belini, o carro b
Fonte: Diário do Grande ABC