Wittemann chega com experiência em crise

 Novo CEO da Jaguar Land Rover terá de enfrentar contração no BrasilPEDRO KUTNEY, ABO cenário de retração econômica e desvalorização cambial, que afeta especialmente as empresas importadoras, não é novo para Frank Wittemann, o novo diretor-presidente da Jaguar Land Rover JLR no Brasil, América Latina e Caribe, que a partir de fevereiro substitui oficialmente Terry Hill. É que Wittemann passou os últimos oito anos na Rússia, primeiro como chefe das operações da Volkswagen e há cinco anos como CEO da JLR no país, onde as vendas de veículos caíram 35% em 2015. “Também é um mercado que passou por grande crescimento e depois entrou em forte recessão”, disse o executivo em seu primeiro encontro com jornalistas brasileiros, na terça-feira, 19, a pedido dele mesmo, para começar a sentir o clima de negócios pouco antes de assumir definitivamente seu cargo no escritório da empresa em São Paulo. Wittemann reafirmou que a JLR permanece otimista com o futuro do mercado automotivo brasileiro, por isso investe R$ 750 milhões na fábrica de Itatiaia RJ, a ser inaugurada em abril próximo. Ele lembra que o segmento premium é menos afetado em momentos de crise econômica como o atual, mas reconhece que no curto prazo o ambiente é difícil, especialmente devido à alta do dólar que encarece os produtos importados. “O câmbio é de fato o principal desafio, é o que vai definir nossos preços e ditar o ritmo das vendas. Somos diretamente afetados porque mesmo os carros que vamos produzir aqui Range Rover Evoque e Discovery Sport têm grande quantidade de itens importados”, diz. Ele ressalta que ainda não conhece o mercado brasileiro para arriscar prognósticos, mas avalia que, com os dados atuais, o cenário “é de estabilidade ou queda de até 5% no segmento de veículos premium” no Brasil. VISÃO DE LONGO PRAZO A aposta de longo prazo da JLR é de que em algo como cinco a seis anos o País atinja o nível de 5 milhões de veículos/ano e o segmento de veículos de luxo alcance cerca de 10% das vendas. “Seria um mercado de 500 mil carros premium por ano 10 vezes acima do nível atual de cerca de 50 mil em 2015, poucos países têm isso a oferecer no mundo”, destacou Dmitry Kolchanov, diretor regional da divisão Overseas, que engloba os mercados da Ásia-Pacífico exceto China, Oriente Médio, África, Rússia e América Latina. Curiosamente, Kolchanov é russo educado no Reino Unido e antecedeu Wittemann na direção das operações russas da JLR. O diretor acompanhou o colega alemão em sua visita a São Paulo e reafirmou que a fabricante inglesa segue com grandes expectativas em relação aos países latino-americanos. “O momento é de queda no Brasil, mas ainda é nosso maior mercado na região, atrás do México, e no longo prazo as vendas vão se recuperar”, avalia Kolchanov. No curto prazo, contudo, não há nenhum plano para exportar carros a partir da fábrica brasileira. “O câmbio atual ajuda, mas o Brasil continua a ser um país caro para produzir. Por causa do tamanho do mercado ainda não temos escala para localizar mais componentes”, explica o diretor da divisão Overseas. A planta brasileira vai começar apenas montando as carrocerias que já vêm armadas e pintadas do Reino Unido. As operações locais de pintura e soldagem em Itatiaia só serão iniciadas mais tarde, quando a produção atingir ritmo mais próximo da capacidade de 24 mil unidades/ano. JAGUAR O plano é montar inicialmente no Brasil somente dois Land Rover, primeiro o Range Rover Evoque e, na sequência, o Discovery Sport. Nenhum Jaguar está previsto no momento. “Somos as duas marcas, mas agora vamos focar nos Land Rover, a Jaguar é uma possibilidade mais adiante”, diz Wittemann. Antes de pensar em montar modelos Jaguar em Itatiaia, Wittemann destaca que o objetivo é aumentar o mercado da marca inglesa no Brasil, que há pouco mais de um ano tinha apenas duas concessionárias no País. Agora, com a completa integração das lojas Lan
Fonte: Automotive Business